Apaixone-se: À Procura de Audrey

Ei gente, eu todos os anos costumo fazer uma meta de leitura, porém de uns tempos pra cá nunca consigo completar essa meta. Primeiro porque sou um pouco otimista demais e me proponho a ler muitos livros, segundo que toda vez que vou a uma livraria compro um livro novo e leio antes dos que já estavam na lista .. enfim ano passado não foi diferente. Eu toda animada coloquei vinte e seis livros na lista de início de ano, o que foi um pouco de lerdeza da minha parte, porque tive pouquíssimo tempo de leitura (sem ser pra faculdade). E quando chegou em novembro e eu só tinha lido oito livros eu surtei, tinha lido pouquíssimo em 2015. Então eu e mais duas amigas nos despusemos a fazer uma maratona literária pra fazer o ano valer nos 45 segundos do segundo tempo.

Então escolhemos três temas e cada um representava um livro, não me lembro dos outros dois, mas o que corresponde ao Á Procura de Audrey era um livro para o Natal, qualquer livro que tivesse amarelo, verde ou vermelho na capa. Confesso que não fui muito bem sucedida na maratona, li um livro e outro ficou pela metade – shame on you Napaula – mas a experiência foi extremamente válida.

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PÁGINAS: 336
AUTORA: SOPHIE KINSELLA

CLASSIFICAÇÃO: YOUNG ADULT/ROMANCE

Audrey é uma menina de 14 anos, que após sofrer bullying na escola, se volta para o seu mundo interior. Ela não tem coragem de sair de casa e se esconde atrás de óculos escuros. Mas tudo muda depois que ela conhece Linus e encontra o amor.

Eu fiquei bem animada a ler esse livro, primeiro porque fiquei curiosa com o título e não tinha lido nada sobre ele, e segundo porque estava ansiosa por ler algum livro da Sophie. Confesso que eu imaginava que o livro falava sobre outra coisa e quando comecei a ler fiquei surpresa, porque pra mim ia ser alguma coisa meio bobinha, mas não tinha nada de bobo. A garota sofre de uma depressão grave e eu podia sentir a agonia dela através das palavras escritas por Sophie, eu acho que ela trabalhou sobre esse assunto de maneira delicada e simples.

Os personagens são cativantes, de alguma forma você torce por todos eles e espera que tudo dê certo para eles. Eu criei uma paixonite pelo irmão da Audrey, é engraçado a forma como ele age em família, e diferente de esteriótipos de adolescentes, achei que ele representa exatamente um jovem de 15 anos. Têm suas incertezas, seus sonhos, seus problemas e mesmo assim ele estava sempre ali para apoiar a irmã. Assim como o irmão mais novo de Audrey, que parece ter pouco conhecimento do que acontece a seu redor, mas ao mesmo tempo é sensível de uma forma que poucos são. Ele mesmo sendo uma criança, ensina muito a irmã. Temos o Linus também, que no início eu não simpatizei muito, mas com o decorrer da história ele ganha sua importância e conquista seu coração. Ele é bem calmo e acho que era tudo que a Audrey precisava, em meio a confusão que se passava na cabeça dela, assim como na casa dela.

Acho que entendi que a vida é tipo uma escalada: você cai e se levanta de novo. Então não importa se der uma escorregada. Contanto que esteja mais ou menos caminhando para cima. Isso é tudo que se pode esperar. Seguir mais ou menos para cima.

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Mas o que eu mais gostei, como já disse, foi a maneira que a depressão e a ansiedade foram abordados no livro. Muitas vezes nós desprezamos a depressão como uma doença séria, embora que ultimamente ela tem sido lidada de forma mais atenciosa, é interessante ver como alguém lida com esses sentimentos. Como a protagonista vai vencendo o medo aos poucos, como ela é frágil e ao mesmo tempo tão forte. Como uma coisa que para muitos é banal, para outros desencadeiam todo um processo de reflexão interna e medo. Eu fiquei muito curiosa para saber o que exatamente aconteceu para causar a depressão na Audrey, mas a autora não revelar nos faz questionar sobre como lidamos com o outro. Como se ele tivesse a obrigação de nos contar algo que não o faz bem para suprir nossa curiosidade, então entendi que às vezes para ajudar alguém você apenas precisa ouvir o que ela tem a dizer, não o que você quer ouvir.

Eu adorei também como o humor é abordado na narrativa, cada personagem tem sua quota de risadas garantidas ao leitor. É super leve e nada forçado. Minha única crítica ao livro é em relação ao final, que me pareceu corrido. Acho que poderia ter levado um pouco mais de tempo para o desfecho da história, mas tirando isso, amei o livro e com certeza amei a escrita da Shophie.

AS IMAGENS FORAM RETIRADAS DA INTERNET