A angústia sobre aquela mulher

Olá pessoinhas, não cheguei a comentar por aqui mas eu comecei a escrever textos pro blog, como podem perceber rolando um pouquinho o console. Não que eu seja a melhor pessoa com palavras, na verdade sempre preferi conversas, principalmente aquelas cara a cara. Mas precisava desabafar sobre assuntos que as corriqueiras conversas não me permitem, que nem todos estão dispostos a ouvir ou que a vergonha de sustentar certos olhares me deixaram sem muita opção a não ser o mundo online.

Nesse meu texto tenho muito e pouco a dizer, é muito sentimento, porém são poucas as palavras. Poucas ainda seriam muitas palavras, na verdade é uma palavrinha: angústia. Um substantivo que pode ser encontrado nas primeiras páginas de um dicionário, uma sensação que aflige todo o meu ser e que demorei anos para descobri-lo escondido aqui dentro. Toda essa descoberta teve início uns meses atrás, quando me deparei com um calendário malvado que me entregava a idade que eu estava prestes a concluir em alguns dias. Veinte, vingt, twenty fucking years. Vinte primaveras. Mas o que estava acontecendo? Não, não, não. Dona Mãe Natureza, você errou nas contas. Conta de novo. Não pode ser. Eu estava prestes a me tornar “adulta” e ninguém me avisou com antecedência.

A partir desse momento a sementinha da angústia começou a crescer e se tornar algo gigantesco, e por incrível que pareça, eu que sempre abominei dramas desnecessários e sentimentalismos exacerbados, estava no meio de uma crise de idade. Tão nova e tão louca. Tão nova e tão velha. Tão nova e tão.. sei lá o que. Tive que aceitar o fato de que não estava preparada pra desapegar daquelas dezenas, aquele mísero número um que me acompanhou praticamente toda a vida que tenho lembranças concretas. Aquele um que sempre esteve comigo não importasse o que estivesse acontecendo no mundo. Sim eu a pessoa que mais muda de opinião, de estilo, de cabelo, de amores, não estava sabendo desapegar de um numeruzinho qualquer.

Mas antes fosse apenas desapegar do número, logo percebi que o buraco era mais fundo e assim me vi dentro de uma crise existencial. Comecei a me questionar sobre tudo na minha vida, se eu estava feliz, se estava fazendo o que gostava, se eu estava cercada por quem eu admirava, e logo percebi que algumas perguntas estavam beirando o não. Era como se eu tivesse num estado de inércia, meus dias perderam sentido e tudo era feito no automático, eu estava vendo a vida passar pelos meus olhos mas nada me emocionava, não existia faísca em nada. Eu me sentia triste, desanimada, feia, burra e tudo de ruim eu conseguia ver presente no meu ser. Mais uma vez, o que estava acontecendo? Nem eu sabia como tinha ido parar tão no fundo do poço.

angustia

A resposta era óbvia, o inferno astral era o culpado. Aquele período que antecede seu aniversário e que tudo que pode dar errado vai dar errado e parece que sua vida foi tomada pela Lei de Murphy. Mas pera lá, esse inferno astral não me atormentou no ano passado. Descarta o miserável que ele não tem culpa de nada. O que estava acontecendo então???

Eu demorei um pouco pra saber a resposta pra essa pergunta, e talvez não tenha certeza definitiva dela, mas depois de desapegar mesmo de algumas pessoas, de algumas coisas e até de lágrimas presas, encontrei a resposta. Eu estava com medo, angustiada e até um pouco ansiosa por essa nova idade. Eu tomei conhecimento de que sou cada dia mais mulher e menos menina, certas atitudes minhas (que até os dezenove tava beleza) precisavam ser revistas e até abolidas, certos sentimentos meus que até agora eram indefinidos, precisavam de um rumo. Eu precisava de um rumo, de mais paciência, de mais certezas. E até sobre as minhas amizades eu tive que refletir.

Pela primeira vez na vida eu entendi exatamente sobre a questão de que amigos verdadeiros você conta nos dedos de uma mão. Porque colegas e conhecidos a vida está cheia, mas amizades com que você possa contar são poucas e raras. Eu percebi que por mais que eu seja geminiana, adore conversar e sair, na hora de conversar e celebrar eu quero que seja com aqueles verdadeiros. E pela primeira vez fiquei muito feliz com uma característica minha, que há pouco via como defeito. Eu demoro pra me conectar com as pessoas, a confiar nelas e me abrir com elas, e essa “demora” toda me permite manter essas pessoas cada vez mais na minha vida. Olhe só, eu vendo meus defeitos como características. Que bunitinhu.

E logo me dei conta que toda essa inquietude que se passava aqui dentro não passava de uma briga entre a pessoa que eu era e a que sou hoje. Uma briga boba inclusive, porque eu estava com dificuldades de aceitar que havia crescido, que eu havia mudado muito em um ano, que meus sonhos mudaram, assim como meus medos e meus pensamentos. Coisas que me eram certas aos dezenove hoje parecem bobagem. Que a cada dia que passa eu me importo menos com a opinião alheia sobre meu cabelo, meu corpo, minhas atitudes, minha vida amorosa. Que a cada dia que passa eu sou mais mulher e menos adolescente.

E hoje eu posso dizer com todo o orgulho que tenho vinte anos e que, eu tô ficando velha, eu tô ficando louca. Mas eu gosto de pensar que eu estou ficando mais bonita, mais experiente e se me permitem, mais gostosa e divertida 🙂

Anúncios

2 comentários sobre “A angústia sobre aquela mulher

  1. Cara filha, sinto lhe dizer, mas ainda passará por várias crises existenciais. A perspectiva positiva é que toda essa reflexão te leva pra frente e pro novo sempre. Nunca tenha medo de repensar posturas, pontos de vista, estética, valores artísticos… Nunca tenha medo de mudar. A mudança nos faz ser mais fortes, mais maduros e mais felizes.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s